Onda de assassinatos é o fruto que os políticos produziram ao esquecer o povo. bahia.ba 25/08/2017 - 07:24
COMPARTILHE

“A injustiça é a mãe da violência.”
Afrânio Peixoto, baiano, ex-deputado federal pela Bahia, médico, escritor e historiador (1876 —1947)
A reportagem do jornal O Estado de São Paulo, ou Estadão, mostrando que no Brasil este ano 28 mil pessoas morreram assassinadas este ano, causou tanta repercussão que chega a nos dar um alento com o despertar da capacidade de indignar-se do brasileiro.
É algo assustador, como se um município do porte populacional de Santa Cruz Cabrália, onde o Frei Henrique de Coimbra celebrou a primeira missa no Brasil, de repente fosse varrido do mapa.
Infelizmente, nada de novo. O Mapa da Violência mostra que em 2003 49.909 morreram assassinadas. Em 2014, 59.627, ou 21% a mais, um contingente populacional do tamanho de Catu, Jaguaquara, Valente ou Ribeira do Pombal. É muita gente. E todo ano a história se repete. Na Bahia, este ano 2.868 assassinatos (até maio), 2,41% a menos que os 2.799 do mesmo período do ano passado. Nada festejar.
O xis da questão: por que as estatísticas só crescem e nossas autoridades ainda não pararam elaborar uma estratégia para acabar a carnificina?
Ora, a boa governança é aquela que baixa as más estatísticas. E a excelência é que baixa as más e sobem as boas.
Estamos longe disso. Temos a sensação de que a única coisa que cresce a olho nu é a violência, com o completo desapreço pela vida, o máximo da contramão do bom senso.
É no que dá o tão falado descasamento do político e o interesse público, panaceia que banalizou os crimes de morte a ponto de gerar quase 1 milhão de assassinatos em 20 anos.
Nas estatísticas, até o menino do Rio, que nem nasceu e morreu de tiro. É muita dor.
O Mapa da Violência mostra que em 2003 49.909 morreram assassinadas. Em 2014, 59.627, ou 21% a mais, um contingente populacional do tamanho de Catu
Levi Vasconcelos é Jornalista político, Diretor de Jornalismo do Bahia.ba, e titular da Coluna Tempo Presente do Jornal A Tarde.
